sábado, 17 de abril de 2010

About sex.

A certeza que nos faz sabermos que estamos vivos é o tesão. Tesão pelas pessoas. Desejar o outro ser, independente do que ele tem no meio das pernas é praticamente um ato divino, onde o profano transa com o sagrado e as divindades se misturam num vai e vem interminável de pernas entrelaçadas que buscam o prazer pelo prazer de sentir prazer. Nós nos benzemos com o orgasmo, rezamos com a língua percorrendo os caminhos sagrados do particular de cada um e terminamos igual a um desfecho colossal de uma ópera suja e com certa aura de divindade. Nossa pele é nossa bata e debaixo dela esconde-se um ser que quer brincar de enfiar no outro ser. Nossa cabeça de baixo e o retângulo delas se cruzam, desencontram-se, perdem-se e não sabem quem são até pararem de funcionar. A gente deseja coisas secretas que não podemos contar para os outros. Nossos desejos obsoletos são frágeis e necessitam de um olhar feroz que não seja igual ao bom modo de rapazes e moças comportados, que tocam piano e falam finlandês fluentemente. O corpo nosso de cada dia precisa de um ou mais corpos. O corpo precisa viajar, sem stand up.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Ele me disse tudo sobre ela.

Ele me informou que ela o coloca para cima só para depois colocá-lo para baixo. Sente prazer nesse masoquismo-romântico.
Ele me disse que ela o cura só para depois matá-lo aos poucos.
Ele me contou que ela dá uma cruzada de pernas estilo Sharon Stone só para depois vê-lo de membro ereto. Tudo para fazê-lo broxar.
Ele fofocou entre a vizinhança que ela o beijava só para depois dar para o amigo do bairro.
Ele, em segredos, disse-me que ela pegava o coração dele com a mesma indiferença e frieza que o garçom carrega a bandeja. Só para depois esmagar seu coração falido e fodido.
Ele, no desespero do amor bagaceiro de final de novela, revelou-me que ela o ajudava a viver para ter o prazer de vê-lo declinar.
Ele pensava alto (e sem querer me disse) sobre como ela era uma Dona Florinda pós-moderna com bumbum siliconado.
Ele não teve coragem de me dizer, mas ela enganava-o. Ela era menos que um sonho surreal estilo David Lynch.
Ela mata cinematograficamente, com o corpo compassado. Pulp Fiction desejado.
Eu acho ela um tesão e nas ruas a acham puta, meretriz, interesseira e fingida. Só por que ela gosta de dar. E de dar com prazer. O que é isso moças, não se reprimam.

Meu e-mail sobre amor para o amor!

Outrora, creio eu, nós escolhemos quem nos mata. Quem nos vai matando. Um pouco mais veloz que a faca que corta a maçã. Algo ou alguém nos mata. Não um assassino fetiche. Alguém mesmo: unhas, sonhos, virtudes e excremento. Normal como nós achamos que somos. Essa pessoa, esse alguém, esse algo abstrato pós-moderno neo-expressionista (hã?) mata uma parte, um extremo, uma ponta, um terço, seu coração ou seu corpo embalado para consumo imediato. Talvez essa “coisa” queira saciar-se como a fervura do mangusto, destreza da cobra e coragem do rato covarde. Morre-se. Isso mesmo: morre-se. Thum, fim de linha. The End.
Uma morte fugaz. Que lhe apaga, como num sonho imediato, surreal como os de David Lynch. Afirmo por que já morri. É aquela morte longeva, também. Nos leva aos poucos. Dói um pouco. Um pouquinho. Ta, é verdade, dói muito. No fundo viramos proletariados falidos de nossos amores. Amor mesmo. “Não amores que matam que ferem” (ARGH!). Amor real mesmo, com o olhar do primeiro encontro, com a inocência de uma virgem da década de 50. Amor real e que mastiga as tripas.
Nem só de amor vive-se. Nem só de amor respira-se. Confesso, em minha visão romanceada e utópica de mundo eu acreditara fielmente nessa garra do amor verdadeiro e um pouco piegas.
Existe o fundo do poço. E lá é bem feio, feio mesmo. Nesse fundo existem sapos e nem um deles vai transformar-se em príncipe. Enxerga-se, nesse fundo feio o triste ideal utópico que, nós, na condição de tapados (taxados assim por outros, mal-amados, diríamos assim) por amarmos demais o todo e o singular. Por querermos incessantemente amar tudo em excesso, como um jovem pós-moderno de postura narcisistica digere suas drogas e sua aura no fundo de uma garrafa velha de Gim. Na verdade, todo mundo experimenta a mesma droga (crê minha pobre pessoa, um último romântico): o amor por alguém. Esse mesmo amor fode conosco e vai embora. Vossas excelências, comunico para o amor que foder desse jeito eu não gosto. Ainda não faz parte de mim.

Mandei-lhe esse e-mail para estares ciente e não me processares.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Meu lado Odair José.

Buscar no colo
o cansaço de te carregar
Buscar no sorriso de
quem sorri do medo
o prazer
Lamber a ferida da
troca do olhar, escapada sutil
flerte quase infantil
Dançar sem música
o abuso das curvas
na rua da amargura.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Diferentes.
Você acorda com o canto dos passarinhos e se lambusa na geléia no amanhecer de um novo dia. Eu acordo de madrugada para pegar um bonde para descolar um trampo.
Você pisa na grama verde e corre para o balanço no quintal. Eu corro para vender alguns cd’s no mercado de São Brás.
Você sai no final de semana para fotografar e pintar e eu saio de casa disposto a flertar e tomar mais alguns goles.
Você acaba suas refeições nos horários certos e faz a digestão. Eu acabo os ovos da geladeira e tropeço nas cervejas da noitada anterior.
Você compara sua vida ao desenho feito pelo seu primo de 10 anos. Comparam a minha a um filme de terror classe B.
Você contempla estrelas no céu. Eu “clareio” junto com o dia, caindo em alguma nuvem no asfalto.
Você?Ingênua. Eu?Prolixo. Devasso também.
Você vai dormir pensando em quantos corações suspiram por você. Eu tento dormir pensando no que fazer para sobreviver a mim mesmo.
Você é brilhante, afinada, correta e integra.
Eu sou teimoso, erro o tom, um pouco descuidado e meio debochado.
Será que a vida não está a fim de nos unir não?

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

O que fazer?

Não leia o manual de instruções: basta tentar viajar comigo para entender o funcionamento. Não peça permissão para entrar. Dê um chute na porta e entre sem permissão. Invada os espaços proibidos e abandonados. Arrisque mais. Não tente analisar minhas peças e explicar racionalmente a minha carcaça e seu fundo de garrafa, coloque tudo dentro de uma garrafa de Gim e beba até o último gole. Se for me vomitar, de exclusividade aos meus sentimentos pequenos. Não tente me encaixar no padrão, definir o perfil e assinar a papelada: invente uma hora qualquer, pegue um trem, me aguarde no último andar que eu vou pular do céu roxo em direção aos seus braços. Que se foda a moral da sociedade e seus costumes, vamos construir castelinhos de areia e viver como nos contos medievais. Quebre os relógios e não aceitarei que voltes antes que viremos abóbora, o tempo nos deixou de lado e poderemos viver sem rugas e cabelos brancos. Não delimite as estações, podemos criar nossos verões e invernos, basta querermos estar um NO outro. Conquistamos o direito de cantar desafinado e enquanto nossa música for audível para nós conseguiremos caminhar e fazer uma história em quadrinhos. Final de filme e não precisamos ler em letras garrafais: THE END. O chão está cheio de cacos de vidro e não sentimos nada por estarmos à frente de tudo. Anunciam nossa missa de sétimo dia e ninguém sabe de fato que estamos saindo daqui para um paraíso surreal chamado de nosso mundo sem título.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Meu amigo imaginário.

Eu conheço um alguém que me acompanha como a uma sombra. Se fazendo presente também na noite, talvez pra flertar com meus demônios e anjos. Esse alguém olha para as nuvens e desenha uma vida linda, com girassóis sendo apanhados por pessoas sem rosto. Mais com um coração que lhes pertence. Esse alguém especial embaça os vidros e forma inúmeros desenhos herméticos e não herméticos, normais e transcendentais. Esse alguém sente que vive em uma jaula e mesmo assim conhece o mundo. Do Brasil a Polônia. Esse alguém usa o artefato da imaginação para se desgarrar do mundo concreto e viajar pelo abstrato, estranho e quase incompreensível mundo, um planeta chamado Terra. Esse alguém não escuta música. E sim entra na melodia dançando da forma que lhe convém. Esse alguém não possui sentidos definidos e consegue escutar melhor que um falcão. Também sabe que não é como o mangusto, que é o único mamífero que sobrevive a picada da cobra. Tem noção de que habita um corpo e sua vida tem um prazo de validade que, dependendo de duas atitudes, pode vir a durar mais que um produto de supermercado. Esse alguém saiu a tempos do lugar de partida e caminha sem sentir seus pés. Ele acha melhor sentir um coração batendo do que a terra do chão. Ele acha melhor caminhar e se estrepar e mesmo assim continuar buscando escutar a batida frenética do coração. Esse alguém quer outro alguém. Esse alguém é parecido comigo e com você, mas é totalmente diferente de tudo. Esse alguém não é o título do texto, apenas. É também meu amigo imaginário.