quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

O que fazer?

Não leia o manual de instruções: basta tentar viajar comigo para entender o funcionamento. Não peça permissão para entrar. Dê um chute na porta e entre sem permissão. Invada os espaços proibidos e abandonados. Arrisque mais. Não tente analisar minhas peças e explicar racionalmente a minha carcaça e seu fundo de garrafa, coloque tudo dentro de uma garrafa de Gim e beba até o último gole. Se for me vomitar, de exclusividade aos meus sentimentos pequenos. Não tente me encaixar no padrão, definir o perfil e assinar a papelada: invente uma hora qualquer, pegue um trem, me aguarde no último andar que eu vou pular do céu roxo em direção aos seus braços. Que se foda a moral da sociedade e seus costumes, vamos construir castelinhos de areia e viver como nos contos medievais. Quebre os relógios e não aceitarei que voltes antes que viremos abóbora, o tempo nos deixou de lado e poderemos viver sem rugas e cabelos brancos. Não delimite as estações, podemos criar nossos verões e invernos, basta querermos estar um NO outro. Conquistamos o direito de cantar desafinado e enquanto nossa música for audível para nós conseguiremos caminhar e fazer uma história em quadrinhos. Final de filme e não precisamos ler em letras garrafais: THE END. O chão está cheio de cacos de vidro e não sentimos nada por estarmos à frente de tudo. Anunciam nossa missa de sétimo dia e ninguém sabe de fato que estamos saindo daqui para um paraíso surreal chamado de nosso mundo sem título.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Meu amigo imaginário.

Eu conheço um alguém que me acompanha como a uma sombra. Se fazendo presente também na noite, talvez pra flertar com meus demônios e anjos. Esse alguém olha para as nuvens e desenha uma vida linda, com girassóis sendo apanhados por pessoas sem rosto. Mais com um coração que lhes pertence. Esse alguém especial embaça os vidros e forma inúmeros desenhos herméticos e não herméticos, normais e transcendentais. Esse alguém sente que vive em uma jaula e mesmo assim conhece o mundo. Do Brasil a Polônia. Esse alguém usa o artefato da imaginação para se desgarrar do mundo concreto e viajar pelo abstrato, estranho e quase incompreensível mundo, um planeta chamado Terra. Esse alguém não escuta música. E sim entra na melodia dançando da forma que lhe convém. Esse alguém não possui sentidos definidos e consegue escutar melhor que um falcão. Também sabe que não é como o mangusto, que é o único mamífero que sobrevive a picada da cobra. Tem noção de que habita um corpo e sua vida tem um prazo de validade que, dependendo de duas atitudes, pode vir a durar mais que um produto de supermercado. Esse alguém saiu a tempos do lugar de partida e caminha sem sentir seus pés. Ele acha melhor sentir um coração batendo do que a terra do chão. Ele acha melhor caminhar e se estrepar e mesmo assim continuar buscando escutar a batida frenética do coração. Esse alguém quer outro alguém. Esse alguém é parecido comigo e com você, mas é totalmente diferente de tudo. Esse alguém não é o título do texto, apenas. É também meu amigo imaginário.