sexta-feira, 29 de maio de 2009

Meu e-mail sobre amor para o amor!

Outrora, creio eu, nós escolhemos quem nos mata. Quem nos vai matando. Um pouco mais veloz que a faca que corta a maçã. Algo ou alguém nos mata. Não um assassino fetiche. Alguém mesmo: unhas, sonhos, virtudes e excremento. Normal como nós achamos que somos. Essa pessoa, esse alguém, esse algo abstrato pós-moderno neo-expressionista (hã?) mata uma parte, um extremo, uma ponta, um terço, seu coração ou seu corpo embalado para consumo imediato. Talvez essa “coisa” queira saciar-se como a fervura do mangusto, destreza da cobra e coragem do rato covarde. Morre-se. Isso mesmo: morre-se. Thum, fim de linha. The End.
Uma morte fugaz. Que lhe apaga, como num sonho imediato, surreal como os de David Lynch. Afirmo por que já morri. É aquela morte longeva, também. Nos leva aos poucos. Dói um pouco. Um pouquinho. Ta, é verdade, dói muito. No fundo viramos proletariados falidos de nossos amores. Amor mesmo. “Não amores que matam que ferem” (ARGH!). Amor real mesmo, com o olhar do primeiro encontro, com a inocência de uma virgem da década de 50. Amor real e que mastiga as tripas.
Nem só de amor vive-se. Nem só de amor respira-se. Confesso, em minha visão romanceada e utópica de mundo eu acreditara fielmente nessa garra do amor verdadeiro e um pouco piegas.
Existe o fundo do poço. E lá é bem feio, feio mesmo. Nesse fundo existem sapos e nem um deles vai transformar-se em príncipe. Enxerga-se, nesse fundo feio o triste ideal utópico que, nós, na condição de tapados (taxados assim por outros, mal-amados, diríamos assim) por amarmos demais o todo e o singular. Por querermos incessantemente amar tudo em excesso, como um jovem pós-moderno de postura narcisistica digere suas drogas e sua aura no fundo de uma garrafa velha de Gim. Na verdade, todo mundo experimenta a mesma droga (crê minha pobre pessoa, um último romântico): o amor por alguém. Esse mesmo amor fode conosco e vai embora. Vossas excelências, comunico para o amor que foder desse jeito eu não gosto. Ainda não faz parte de mim.

Mandei-lhe esse e-mail para estares ciente e não me processares.

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