sábado, 17 de abril de 2010

About sex.

A certeza que nos faz sabermos que estamos vivos é o tesão. Tesão pelas pessoas. Desejar o outro ser, independente do que ele tem no meio das pernas é praticamente um ato divino, onde o profano transa com o sagrado e as divindades se misturam num vai e vem interminável de pernas entrelaçadas que buscam o prazer pelo prazer de sentir prazer. Nós nos benzemos com o orgasmo, rezamos com a língua percorrendo os caminhos sagrados do particular de cada um e terminamos igual a um desfecho colossal de uma ópera suja e com certa aura de divindade. Nossa pele é nossa bata e debaixo dela esconde-se um ser que quer brincar de enfiar no outro ser. Nossa cabeça de baixo e o retângulo delas se cruzam, desencontram-se, perdem-se e não sabem quem são até pararem de funcionar. A gente deseja coisas secretas que não podemos contar para os outros. Nossos desejos obsoletos são frágeis e necessitam de um olhar feroz que não seja igual ao bom modo de rapazes e moças comportados, que tocam piano e falam finlandês fluentemente. O corpo nosso de cada dia precisa de um ou mais corpos. O corpo precisa viajar, sem stand up.

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