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Ele me informou que ela o coloca para cima só para depois colocá-lo para baixo. Sente prazer nesse masoquismo-romântico.
Ele me disse que ela o cura só para depois matá-lo aos poucos.
Ele me contou que ela dá uma cruzada de pernas estilo Sharon Stone só para depois vê-lo de membro ereto. Tudo para fazê-lo broxar.
Ele fofocou entre a vizinhança que ela o beijava só para depois dar para o amigo do bairro.
Ele, em segredos, disse-me que ela pegava o coração dele com a mesma indiferença e frieza que o garçom carrega a bandeja. Só para depois esmagar seu coração falido e fodido.
Ele, no desespero do amor bagaceiro de final de novela, revelou-me que ela o ajudava a viver para ter o prazer de vê-lo declinar.
Ele pensava alto (e sem querer me disse) sobre como ela era uma Dona Florinda pós-moderna com bumbum siliconado.
Ele não teve coragem de me dizer, mas ela enganava-o. Ela era menos que um sonho surreal estilo David Lynch.
Ela mata cinematograficamente, com o corpo compassado. Pulp Fiction desejado.
Eu acho ela um tesão e nas ruas a acham puta, meretriz, interesseira e fingida. Só por que ela gosta de dar. E de dar com prazer. O que é isso moças, não se reprimam.
Outrora, creio eu, nós escolhemos quem nos mata. Quem nos vai matando. Um pouco mais veloz que a faca que corta a maçã. Algo ou alguém nos mata. Não um assassino fetiche. Alguém mesmo: unhas, sonhos, virtudes e excremento. Normal como nós achamos que somos. Essa pessoa, esse alguém, esse algo abstrato pós-moderno neo-expressionista (hã?) mata uma parte, um extremo, uma ponta, um terço, seu coração ou seu corpo embalado para consumo imediato. Talvez essa “coisa” queira saciar-se como a fervura do mangusto, destreza da cobra e coragem do rato covarde. Morre-se. Isso mesmo: morre-se. Thum, fim de linha. The End.
Uma morte fugaz. Que lhe apaga, como num sonho imediato, surreal como os de David Lynch. Afirmo por que já morri. É aquela morte longeva, também. Nos leva aos poucos. Dói um pouco. Um pouquinho. Ta, é verdade, dói muito. No fundo viramos proletariados falidos de nossos amores. Amor mesmo. “Não amores que matam que ferem” (ARGH!). Amor real mesmo, com o olhar do primeiro encontro, com a inocência de uma virgem da década de 50. Amor real e que mastiga as tripas.
Nem só de amor vive-se. Nem só de amor respira-se. Confesso, em minha visão romanceada e utópica de mundo eu acreditara fielmente nessa garra do amor verdadeiro e um pouco piegas.
Existe o fundo do poço. E lá é bem feio, feio mesmo. Nesse fundo existem sapos e nem um deles vai transformar-se em príncipe. Enxerga-se, nesse fundo feio o triste ideal utópico que, nós, na condição de tapados (taxados assim por outros, mal-amados, diríamos assim) por amarmos demais o todo e o singular. Por querermos incessantemente amar tudo em excesso, como um jovem pós-moderno de postura narcisistica digere suas drogas e sua aura no fundo de uma garrafa velha de Gim. Na verdade, todo mundo experimenta a mesma droga (crê minha pobre pessoa, um último romântico): o amor por alguém. Esse mesmo amor fode conosco e vai embora. Vossas excelências, comunico para o amor que foder desse jeito eu não gosto. Ainda não faz parte de mim.
Mandei-lhe esse e-mail para estares ciente e não me processares.